segunda-feira, 25 de maio de 2009

O brado retumbante, o santo e derradeiro desabafo: Obina nunca mais

Amigos, a verdade que liberta é essa: eu que supunha conhecer o ludopédio em 18 idiomas me penitencio, contrito, aqui desta tribuna, diante dos fiéis seguidores da nossa causa.

Tá certo que o menino Joziel não é tudo isso que foi ontem, mas também não é também todas aquelas injurias que eu disse desta destemida e valente emissora. Pronto. Já podem começar a sessão de apedrejamento.

Comecei a bradar coisas terríveis, impublicáveis, contra o pobre e intimorato rapaz. Em mereço e farei um exame de saúde mental pelas insanidades, pecados e disparates cometidos.

Já sei que alguém vai me dizer o que o colonizador espanol disse pro Hugo Chaves: por que não te calas?

Mas, o seguinte é esse: o rapaz fez de tudo na refrega contra o time dos operários do ABC. Esse é o hômi…E eu aqui ameaçado de perder o emprego por cometer aquele crime de opinião de incluí-lo entre os pernas-de-pau que pululam por aí (gostaram do pululam?), entre os Obinas da vida.

A verdade, a pura verdade que salva e redime, foi minha heresia em não reverenciá-lo pelo suor derramado em tantas outras batalhas. Este brioso servidor que honrou e vestiu ontem o Manto Sagrado é o mesmo que tem consignado nas súmulas uma penca de gols.

Não vou mais falar do Joziel, não vou. Vou, sim, recolher-me ao silêncio obsequioso, castigo a quem não enxerga futebol com os olhos da razão. Se bem que estou em boa companhia, com outro míope. O menino Nélson Rodrigues e suas diabruras inventivas de Anjo Pornográfico também constumava ver outro jogo que não o real. Pior para o jogo real.

Mas antes que encerre a resenha do nosso heroi no ABC de São Paulo de Piratininga, seria mesmo muito feio, mas muito feio mesmo, se eu terminasse estas mal digitadas linhas sem dizer que ninguém deveria assistir àquele segundo gol do Joziel sem aplaudir de pé. Coisa linda, que o Pelé ou o Romário assinariam.

Por fim, que fique constado em ata: o Clube de Regatas do Flamengo parece deveras ressurgir da saga que produziu um de seus mais sagrados axiomas. Aquele segundo o qual "Craque se Faz em Casa", perpetuado desde que Zico, Junior, Leandro, Andrade, Adílio e outros ingressaram no panteão dos monstros sagrados da Nação Rubro-Negra.

Que dá um gosto danado ver crias como os meninos Airton, Everton e Willlians vestirem com garbo o Manto Sagrado, lá isso dá. Que potencial, pesonalidade, disposição e noção do que é vestir aquela indumentária. Jogaram o fino esses meninos, benzadeus....

De resto, sem o auxilio luxuoso dos solos do Léo Moura e do Juan, 2x1 ficou de bom tamanho.
Pois muito bem. Conforme os ensinamentos de Cícero, lá atrás na Roma dos bárbaros, quando faltam as palavras, melhor e calar.

Mas não me sentiria feliz e aliviado sem este santo e derradeiro desabafo. É que, enfim, não mais terei que gritar impropérios, não mais sentirei calafrios, pruridos e ziquiziras diversas ao ouvir pelo alto-falante aquela tonitroante voz: "Suderj informa: no Flamengo, sai fulano e entra Obina".

Que o Senhor do Bonfim te proteja e não me desampare, mas vá, sem passagem de volta. E não me venha queimar a língua desastrada fazendo lá no porco coisas que nunca fizeste na Gávea.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Traidor de uma Nação

Amanheci com o gogó afiado, por força de uns gargarejos na noite anterior para melhor orientar os meninos. Que cumpriram direitinho os recados que mandei em boa parte do jogo.

Fiz minha parte como bom religioso. Cumpri meu ritual, em minhas preces e oferendas. Concentrei-me e me mantive em ação durante todo o jogo, andava de um ponto a outro.
Até que fui ao meu quintal prestar reverência à minha tamarineira e seus fluídos.

Não imaginava que o Juan, pensando o que ele pensa que joga, ainda fosse capaz de uma infantilidade suprema de atrasar o balípodo numa linha de defesa com raios do tipo Nilmar, D´alessandro e Taison por perto.

Mas eis que se fez luz, com o gol do menino Kleberson. Prá quê... Não fiz outra coisa se não contar os minutos que restavam, mas os ponteiros que marcavam minutos e segundos no relógio não saíam do lugar.

Corria de lá pra cá, batia na madeira ali e aqui a cada ataque dos gaúchos. Foi quando cheguei à conclusão da necessidade de um providencial checap para evitar um outro cateterismo. Liguei para o meu cardiologista. "Sou um homem comum, com minhas limitações, doutor. Pobre do meu coração. Assim as minhas coronárias não agüentam..."

Então, voltei ao calor do jogo após algumas recomendações de urgência daquele discípulo de Hipócrates. Até que lembrei-me de uma frase de um desses filósofos que só o futebol é capaz de produzir, segundo a qual o medo de perder tira a vontade de ganhar.

Após o gol, o Cuca fez o que todo treinador comum faz: colocou um monte de gente lá dentro da grande área para segurar o rojão. É bem verdade que o Inter atacava, mas não entrava na zona do agrião (royalties para o grande João), mas eis que veio a falta na entrada da área, aquelas quase no finzinho da contenda, com jeito de sentença de morte.

Imaginei que o gringo D´alessandro fosse o encarregado da cobrança. Quando vi o menino Andrezinho, que criamos lá na Gávea com leite de cabra, aminoácidos e Biotônico Foutoura, não esperava proeza que jamais foi capaz de operar com o pesado Manto Sagrado. Mais um carrasco, mais um traidor da Nação Rubro-Negra, que por conta do vil metal renega suas raízes e convicções ideológicas, filosóficas, doutrinárias, clubísticas, etc. Menino ingrato esse.

Mas, sem esse simplismo de apedrejar o pobre do Cuca. Os cartesianos analistas do ludopédio de Pindorama conferem excessiva importância aos treinadores, comentam futebol com estatísticas e a frieza dos números, mais parecem comentaristas de economia.

O buraco é mais embaixo. Aos fatos, então: o brioso e aguerrido time Rubro-Negro tem muitos garotos que saíram há pouco do dente-deleite. E se o Pompéia fôsse vivo poderia dar umas aulas de acrobacias ao Bruno.

Na próxima bola colocada desferida contra sua baliza, ele daria um pulo (goleiro existe pra isso), saltaria na direção do chute, não daria alguns passos de urubu malandro em direção ao esférico para ficar no meio do caminho e chegar a inútil e tardia conclusão de que chegou atrasado.

De resto, tive que escutar o ribombar dos fogos dos eternos vice-campeões do time da colônia portuguesa, que habitam os porões do sobsolo do futebol brasileiro.

Soltaram foguetes no primeiro e no segundo gol. Já que não podem festejar nada em cima de nós, nossos históricos fregueses perderam a humildade dos medíocres e festejam com o... alheio.

Como estamos num outro plano, não seria conveniente gastar o latim com quem se presta a festejar vitórias contra o Ceará, o Central, o Caruaru, o Icasa e outros gigantescos e históricos esquadrões do nosso ludopédio.

Tinha mais o que fazer. Fui tomar meu lexotan e dormir. Além de reservar energias e precauções com a ansiedade e a saúde para outras batalhas que nos esperam.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Menos, menos euforia

Esse Juan deve pensar que é o Nilton Santos redivivo ou um Leovegildo dos tempos modernos.

Porque se ele, de fato, jogasse o que pensa que joga, o salto de Luis XV se tornaria um chinelo perto daquele que o irrequieto lateral (ala é o cacete) da Gávea iria calçar.

Porque a máscara do menino é da grandeza do ego dos cartolas rubro-negros quando o clube conquista um simples e trivial campeonato estadual.

Primeiro, aquele gesto de deselegância com o Viola que lhe pediu desculpas num lance mais ríspido. Depois, aquela entrada feia no Maiconsuel — se bem que com um nome desses bem que ele merecia uma outra coisa, mas não uma prática desleal de jogo. Por último, a discussão com o Cuca, que marcou um batente na Gávea para uma linda manhã de sol e praia no Rio.

O rapaz precisava urgentemente ouvir ou conhecer as preleções de linguagem empolada, mas impregnadas de sábias lições do mestre Zé Coelho, cartola-técnico-roupeiro-massagista do Rio Bonito Atlético Clube nos anos 60. “Não quero que jogador meu tenha humildade em campo. Quero vocês todos altivos e orgulhosos do que são e fazem. Não sejam humildes, porque da humildade à falta de personalidade a distância é apenas um pulo. Quero que tenham auto-crítica, conheçam suas limitações, é o que quero”.

Taí, auto-crítica é a palavra-chave, o que tem faltado a esse jovem apenas razoável, que se destaca diante da mediocridade geral que campeia no ludopédio atual neste país. Quando pega o esférico às vezes não sabe o que faz com o balão de couro, como denominavam os antigos narradores. Se vale de bom condicionamento físico e velocidade para chegar à linha de fundo, num estilo Roberto Carlos, outro já festejadíssimo e cercado por holofotes, mas não mais do que mediano.

E, cá pra nós: esse Juan não serviria nem pra engraxar as chuteiras de outros dois laterais rubro-negros do meu tempo. Primeiro, um certo Paulo Henrique, que jogava o fino da bola; depois, Rodrigues Neto, outro baita de um lateral.

Menos... menos Juan...

Casas e mais empregos

O economista Ranuldo Vidigal, presidente do Centro de Dados de Campos (Cidac), aposta que a partir da implantação do programa de construção de 5.100 casas populares e ainda as obras ou construções de unidades de saúde e escolares, haja uma maior contribuição do poder público para reduzir a questão do desemprego no municipio.

A estimativa é que só neste programa sejam criados mais de 2 mil empregos.

Acredita que, finalmente, a partir de agora, o governo se livre das amarras, que os tecnocratas chamam de ajustes nas contas, em razão da queda dos royalties e da revisão de programas e obras suspeitas deixados pela administração anterior.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Aos crédulos e otimistas

Aqui, desta altaneira tribuna, fala-se de tudo, inclusive de futebol. E de coisas menos sérias, como a política.

Já que não tenho estômago para fazer elucubrações sobre a política da nossa aldeia, a pergunta que saco hoje da cartola nesta terra do pau-brasil é a seguinte: qual o destino da insalubre e indigesta política brasileira, diante de tantos casos de corrução envolvendo personagens do Congresso Nacional.

Cambadas que habitam as casas legislativas, escutem os gritos em uníssono das massas: vocês estão saindo muito mal na fita, abusando do direito de serem hipócritas. Um dia cansamos de sustentar algumas casas de tolerância. A revolta e a fúria dos justos tomarão conta das ruas.

Agora mesmo, os partidos, com suas imagens tremendamente desgastadas, apostam numa eleição com lista fechada, feita sob medida para que os caciques de sempre se mantenham em seus feudos partidários.

Como apostar na renovação dos quadros da política sem que os novatos tenham acesso a vagas que serão preenchidas por aqueles que já são detentores de mandado ou mesmo aqueles que são apadrinhados pelas cúpulas partidárias?

Nas duas casas do Congresso, são 60% os eleitos declaradamente financiados por grandes empreiteiras, bancos e outras grandes corporações. O interesse público vai pras caçambas e nécaras.

Os casos de corrupção pipocam a cada dia, como o escandalo das verbas indenizatórias, envolvendo até Eduardo Suplcy e Fernando Gabeira, tidos como "reservas morais".

Otimistas acham que a crise pode trazer aspectos positivos, como uma mobilização nacional que poderiam colocar as caras dos pilantras com suas fotos em outdoors por toda parte no País, tipo assim: "Esse aqui traiu a confiança do povo porque prometeu uma coisa e fez algo totalmente diferente depois de eleito. Ou assim: "Esse aqui falou que quer que a população de lixe".

Otimistas, crédulos, este repórter que vos azucrina não quer ser o porta-voz do pessimismo. Mas no meu tempo havia menos imbecilidade.

Os meninos de hoje não sabem de nada, com rarissimas e honrosas exceções. Vive-se numa selva onde impera a alienação, a futilidade e a burrice, etc.

Vou tratar de coisas mais sérias e menos áridas. Tenho que ouvir agora um chorinho com o Zé Nogueira e o Altamiro Carrilho. Não sou de ferro. Fui...

domingo, 17 de maio de 2009

Os mineiros vão ter que colocar a mão no bolso

A rádio tamanco manda me avisar que as coisas começam a ficar da cor do mar.

O Goytacaz arranja não só uma saída para o futebol do clube e seus tantos infortúnios com a terceirização nas mãos do Pudim, como deve contar com outra boa noticia nos próximos dias.

É que será batido mais uma vez o martelo, com um terceiro recurso do Cruzeiro, sobre o caso Jussiê, no Tribunal de Justiça do Rio, onde o clube da colônia italiana de Beagá já perdeu duas vezes.

O homem togado de preto vai julgar a questã (no feminino mais puro como se pronuncia deliciosamente lá na roça) ainda esta semana.

Um dado interessante é que se o recurso não for acatado novamente, não caberá efeito suspensivo. Portanto, não é "mineiro-pau", mas pau nos mineiros, que têm fama nacional e internacional como seres muito ruins de meter a mão no bolso.

E a solução dos cruzeirenses seria apelar para uma outra instância, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

Caso vença mais este round, o Goyta vai embolsar um vil metal da ordem de R$ 1,5 milhão.

Não duvidem se uma fila de credores pintar pelas bandas da Rua do Gás, entoando aquela marchinha gloriosa, "ei você aí/ me dá um dinheiro aí"...

O futebol morreu

Porque a vida é curta, porque viajar entre o onírico da prosa, da ficção, do humor e do lirismo, é a única saída para a dureza do dia-a-dia; também porque refletir e pensar não dá trabalho, a partir de hoje e todos os domingos o blogue vai trazer sempre um lero-lero deste catador de novas emoções e novidades.

Desta vez, postarei uma resenha do Davi Coimbra, um dos grandes jornalistas e cronistas de Porto Alegre.

O texto a seguir foi publicado no jornal Zero Hora e dá conta da distância entre o futebol em dois periodos: antes e depois do mercantilismo desenfreado que alguns chamam globalização. Ei-lo, pois:

Hoje o futebol está morto.

É essa a primeira frase do ótimo romance de Michel Laub, O Segundo Tempo, concorrente ao Fato Literário de 2007. Sérgio Faraco foi o vencedor do Fato Literário e não podia ser outro, o Faraco é um dos Macistes da literatura brasileira. Mas o romance de Laub mereceu a distinção de competir com o Faraco, que só isso já é laurel.

Não sei se Laub tem realmente essa opinião acerca do falecimento do futebol ou se ela foi doada ao personagem narrador da trama. Sei que concordo. Também acho que o futebol morreu.

O romance de Laub não versa exatamente sobre isso, embora fale disso. É um romance perfeito, tecnicamente. Um romance de estilo requintado, de construção criteriosa, vê-se que ele se debruçou com cuidado sobre cada parágrafo, cada frase. Teceu uma bela obra, um pouco de Salinger no tema, um tanto de Phillip Roth na condução da trama.

Laub sustenta um clima de suave tensão que mantém o leitor em permanente expectativa. O desenvolvimento dos personagens se dá sem pressa, num encadeamento verossímil. E o futebol é usado com mestria como fio condutor da história, transcorrida durante o Gre-Nal do Século, em 1989. Laub, o leitor percebe, entende e gosta de futebol. Não duvido, pois, que pense dessa forma. Que o futebol está morto.

Porque está. Dizia isso durante a nossa reunião semanal, aqui no Esporte, segunda passada. O dinheiro matou o futebol. Antes das ondas de dinheiro afogarem o futebol, o menino queria ser jogador pela glória ou pelo prazer. Ele sonhava em vestir a camisa da Seleção ou do seu clube preferido, sonhava em ganhar a vida jogando bola, em fazer gols, em ser ídolo de uma torcida. O guri suspirava:

— Esses caras jogam bola e ainda ganham dinheiro pra isso!

Agora ele sonha com o dinheiro, não com a bola. Ele quer ser jogador para comprar uma casa para a mãe ou um carro para o pai, para usar dois celulares e alisar o cabelo à chapinha de chocolate. Ele quer jogar em cidades que nem sequer sabe onde ficam, para gentes que nem sabe quem são. Tanto faz, para ele, ser jogador de futebol ou fabricante de sabão, desde que ganhe em Euros.

Nada representa mais esse ex-futebol do que a Seleção Brasileira e seus jogadores miliardários e enfatuados. Nenhum jogador representa mais esse passamento do que Ronaldinho.

Justo Ronaldinho, que era uma espécie de Garrincha redivivo, a nova Alegria do Povo, um menino que passava os dias da sua infância dentro do clube pelo qual torcia e as noites agarrado à bola de couro, que via os vídeos do passado e sonhava em ser o Rivelino do futuro, justo ele, hoje pouco se lhe dá o amor que as torcidas lhe têm, hoje pouco se lhe dá o jogo jogado. Importam-lhe os seus milhões.

Milhões, milhões, quantos milhões Ronaldinho ganha por semana? Quanto vale uma hora do seu dia? Com todos esses milhões em perspectiva, por que haverá ele de se importar com a beleza de um drible, com um novo título, com a angústia ou o riso do torcedor? Ele não precisa! Ele tem a propaganda de refrigerante para fazer, ele tem o novo investimento imobiliário com que se preocupar, a nova chuteira de grife para calçar, ele é uma entidade, não um meia-direita.

Hoje, um jornalista que cobre futebol cobre-o como se fosse para a Editoria de Economia. Não há diferença. O antigo futebol, divertido, prazeroso, folclórico, apaixonante, o futebol com o qual os meninos sonhavam jogando bola de meia na calçada, jogando com goleirinha de chinelo de dedo no areão, jogando nos campos crespos da várzea, esse futebol não existe mais.

O futebol, antes de envelhecer, morreu.